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quinta-feira, 21 de junho de 2012

Oxandrolona... pra quê?


Ultimamente tenho recebido muitas perguntas relacionada a OXANDROLONA , essas duvidas são cercadas de bastante complexidade e particularmente acredito que poderíamos escrever algumas paginas sobre isso.
 Vou tentar ser breve e pontual com relação a algumas dessas duvidas e manter um foco cientifico, pois o senso comum nessas horas não ajudam muito e as vezes ate atrapalham o entendimento e a complexidade da utilização de esteroides. A oxandrolona é um análogo de testosterona, o único de uso oral, por isso a utilização deste foi muito difundida.
Esse esteroide sintético é metabolizado quase que completamente no fígado, portanto exames regulares são importantíssimos como: AST  (aspartato aminotransferase), ALT(alanina transaminase), GGT (gama gt), lactato desidrogenase (LDH) CK (creatina quinase) e bilirubina, além dos exames hormonais normais que devem ser acompanhados com frequência, independente de qualquer coisa.

Os ciclos em mulheres são de 10 a 20 mg, e sabendo que a testosterona tem efeitos clássicos anabólicos, ou seja, aumento da síntese proteica e inibição da degradação proteica os efeitos esperados são o aumento da massa muscular, ou como dito no senso comum densidade muscular.

O período e os objetivos da sua utilização dependem de uma grande variedade de fatores que envolvem o treinamento e a nutrição. Entender e acompanhar o controle do treino com relação ao volume e intensidade do treinamento de força deve se adequar ao volume e intensidade do treino aeróbio, dependendo do objetivo.
Importante salientar que todo medicamento possui efeitos colaterais, ou seja, efeitos indesejados que no inicio não é levado em consideração, e isso deve ser de conhecimento do paciente e a prescrição deve ser feita de maneira consciente pelo medico e paciente diante dos riscos e benefícios.

Referência:
Dickerman RD, Pertusi RM, Zachariah NY, Dufour DR, McConathy WJ. Anabolic
steroid-induced hepatotoxicity: is it overstated? Clin J Sport Med. 1999 Jan;9(1):34-9

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Ribose e performance

A quebra da fosfocreatina pela ação da creatinaquinase (CK) é a principal via de produção de ATP durante curtos períodos de exercício extenuante. No entanto, como a concentração de fosfocreatina muscular rapidamente se esgota, a taxa de refosforilação do ADP através da CK é prejudicada, o que provoca diminuição do conteúdo ATP intracelular e aumenta o conteúdo ADP. Uma fração desse ADP é reduzida a IMP (inosine 5´ -monophosphate) por ação da adenilato quinase e AMP aminase.
Durante exercícios intensos o pool de ATP no músculo esquelético humano é reduzido a inosine 5´ -monophosphate (IMP), este composto produzido no músculo não é permeável a membrana e ao final do exercício é utilizado para a resintese de ATP. Uma parcela desse IMP pode ser desfosforilado em inosina e ser liberado para a circulação junto com produtos da degradação de hipoxantina, que serve como substrato e fonte de nitrogênio, lembrando que essa situação depende da intensidade e duração do exercício.
A perda de nucleotídeos, que são compostos por base nitrogenada, grupo fosfato e uma pentose, pelo músculo é restaurada por dois sistemas: via purina que depende do AMP gerado pela inosina e/ou hipoxantina ou via síntese de novo nucleotídeo, lembrando que uma vez na circulação esses não podem ser recuperados tanto durante atividade como no repouso, portanto a restauração do ATP parece vir através do pool intracelular de inosina e hipoxantina.
Um passo limitante para a síntese de novo nucleotídeos tem sido estudada e postula se que uma enzima chamada phosphoribosyl pyrophosphate (PRPP) tem um papel crucial, onde essa enzima gera ribose 5´-fosfato que por sua vez é sintetizada a partir da fosforização de ribose. O nível de ribose no músculo é limitada, portanto, uma maior disponibilidade de ribose pode aumentar a formação de PRPP e da taxa de síntese de adenina nucleotídeos.
Ou seja, parece que a suplementaçao com ribose teria um efeito benefico na geração de novos RNA mensageiros (mRNA), consequentemente novas proteinas, aumentanto a sintese proteica. A teoria nos mostra essa hipose, mas os trabalhos que encontramos na literatura não confirmam tal efeito.



Hellsten, Y., L. Skadhauge, and J. Bangsbo. Effect of ribose supplementation on resynthesis of adenine nucleotides after intense intermittent training in humans. Am J Physiol Regul Integr Comp Physiol 286: R182–R188, 2004
Seifert JG, Subudhi AW, Fu MX, Riska KL, John JC, Shecterle LM, St Cyr JA. The role of ribose on oxidative stress during hypoxic exercise: a pilot study. J Med Food. 2009 Jun;12(3):690-3
Op 't Eijnde B, Van Leemputte M, Brouns F, Van Der Vusse GJ, Labarque V, Ramaekers M, Van Schuylenberg R, Verbessem P, Wijnen H, Hespel P. No effects of oral ribose supplementation on repeated maximal exercise and de novo ATP resynthesis. J Appl Physiol. 2001 Nov;91(5):2275-81.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Utilização da creatina: objetivos práticos e eficiência

Com a liberação da comercialização da velha conhecida creatina surgem algumas duvidas quanto ao protocolo e/ou estratégia de utilização, mas antes de tentarmos expor aqui alguns dados encontrados na literatura vale lembrar mais uma vez que a creatina orgânica tem duas fontes, a síntese pelo próprio organismo, a partir de 3 aminoácidos (arginina,glicina e metionina) e a ingestão de alimentos, especificamente das carnes. O pool orgânico desta substância encontra-se localizado quase na sua totalidade (95%) na musculatura esquelética e sua regeneração após um exercício intenso é um processo dependente da via oxidativa. A maioria dos estudos de suplementação com creatina tem mostrado a possibilidade de aumentar o pool orgânico deste composto em cerca de 10 a 20%, embora alguns estudos tenham evidenciado acréscimo de até 50% em seus níveis totais, após a suplementação em indivíduos não vegetarianos e de ate 60% em atletas vegetarianos. Sendo assim a creatina é essencial no processo de regeneração do ATP, sendo que em torno de dois terços da creatina é fosforilada pela enzima creatina cinase (CK) formando creatina fosfoto (PCr). Durante a realizaçao de exercícios intensos e explosivos, por exemplo exercícios repetitivos (intermitentes), de alta intensidade, curta duração e com períodos de recuperação muito curtos, o fosfato da creatina fosfato é liberado para fornecer energia para a ressíntese de ATP. Sendo assim a ampliação da reserva de energia no músculo através da creatina tem permitido aprimorar o desempenho físico de atletas e praticantes das mais diversas atividades.
Vamos ao que interessa, na literatura encontramos vários protocolos de utilização, dos mais curtos: 0,35g/Kg de peso corporal por 5 dias, 20g durante 5 dias, 5g diárias de creatina dividas e 4 doses ao dia durante 5 dias, 5g de creatina mais 1g de sacarose 4 vezes ao dia durante 5 dias; protocolos mais longos: 20g por dia durante 10 dias seguidos de 4g por 20 dias, 25g por 7 dias seguidos de 5g por 11 semanas, 20g por 5 dias seguidos de 3 g por 47 dias, 20g por 5 dias seguidos de 2 g por 37 dias, e por ai vai, pois a literatura é extensa nos protocolos, indivíduos e gêneros utilizados. Postula se ainda que a suplementação de creatina juntamente com 1g de glucose/Kg de massa corporal aumenta a absorção da creatina em relação a suplementação sem carboidrato devida a melhor captação auxiliada pela secreção de insulina.
No entanto, um grande número de estudos mostra os efeitos benéficos no ganho de massa muscular, retardar fadiga, melhorar desempenho a esforços intermitentes, número máximos de repetições (RM) e em relação ao desempenho contra vários artigos mostrando dados opostos. Sendo assim o estabelecimento dos efeitos positivos e praticos fica prejudicado devido a essa grande diversidade de protocolos e indivíduos utilizados como modelo dos estudos, portanto a escolha do protocolo utilizado deve ser embasada em um modelo que se assemelha ao seu propósito, levando em consideração o principio da individualidade biológica, salientar mais uma vez que estudos foram realizados para comprovar a segurança dessa suplementação, sendo demonstrado não ser capaz de prejudicar a função renal e hepática, ou seja, essa estratégia parecer ser eficiente e segura.