quarta-feira, 4 de abril de 2012

Ranelato de Estrôncio

Esse novo principio ativo tem recentemente surgido nas pesquisas cientificas mostrando se muito eficiente no tratamento de osteoporose em mulheres no período pós-menopausa, diminuindo o risco de fraturas ósseas, agindo sobre os fatores de formação e reabsorção óssea. Esses fatores apontados levaram a utilização desse fármaco no tratamento de artrose. Os estudos até o momento mostraram segurança nesse tratamento.

Endokrynol Pol. 2011;62 Suppl 2:23-31.

[Strontium ranelate in post-menopausal osteoporosis].

[Article in Polish]

Source

Katedra i Klinika Nefrologii, Dializoterapii i Chorób Wewnętrznych, Warszawski Uniwersytet Medyczny, Warszawa. jprzedlacki@amwaw.edu.pl

Abstract

Strontium ranelate is one of the first-line agents with proven anti-fracture activity used in the therapy of post-menopausal osteoporosis. Its mechanism of action makes it, however, different from other drugs, since it simultaneously stimulates two reverse processes: bone formation and bone resorption. The action of the agent depends on various mechanisms, including the activation of calcium receptors, localised on osteoblasts and osteoclasts, and on the influence on the OPG/RANKL system. The drug effectively prevents spinal, hip and extravertebral fractures. The agent's anti-fracture efficacy within the spine does not depend on the patient's age, or on base BMD values, or on the concentration of bone metabolism markers. As to the anti-fracture efficacy in the hip, it concerns women with an increased bone fracture risk. Strontium ranelate increases bone mineral density within the lumbar spine and the hip, decreases the concentrations of bone resorption markers, and increases the concentrations of bone formation markers. The drug is administered in a daily 2.0 g oral dose. This paper presents indications to therapy with strontium ranelate, specifying also its side effects and contraindications. We compare the anti-fracture efficacy of strontium ranelate to the efficacy of other agents of proven anti-fracture activity, based on published clinical studies.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Aquecer ou alongar?

A grande duvida que surge antes da realização de exercícios físicos: alongamento ou aquecimento? Essa duvida permeia o pensamento dos pesquisadores a fim de encontrar uma maneira de prevenir lesões provenientes da atividade escolhida.
A lesão muscular é um dos principais problemas enfrentados por atletas, seja ele profissional ou não, consequentemente afastando o praticante por um tempo da atividade e/ou treinamento. Essas lesões por definição podem ser de origem óssea, como fraturas, a nível muscular ou tendão por tensões ou distensões. Essas lesões ainda podem ser provenientes de uma tensão externa sobre o musculo que excede a tensão que seria desenvolvida com um comprimento constante, ou ainda quando uma contração excêntrica pode levar o musculo a uma lesão muscular, lembrando que as lesões musculares são as principais queixas em clinicas de medicina esportiva.
Aquecimento é definido como a melhora da dinâmica muscular afim de prevenir lesões (1), e preparação para as demandas do exercício (2). Esse ainda pode ser passivo ou ativo, onde o passivo incluem banhos quentes, sauna e maneiras de aquecer o corpo por agentes externos e o ativo são movimentos não específicos do corpo (corrida, pedalar e etc) a fim de preparar para a atividade especifica. Lembrando que a intensidade dessa atividade deve estar por volta de 40~60% do VO2 máximo, ou seja, de modo pratico deve ser 55~69% frequência cardíaca máxima (FCmáx). Já os alongamentos são movimentos de estiramento dos músculos, onde a força aplicada deve ser suave, ou seja, tensão sem dor, e as técnicas pode ser dinâmicas, estáticas ou facilitação neuromuscular proprioceptiva (FNP), lembrando que a técnica mais aplicada nos estudos é a estática onde cada alongamento deve ser mantida durante aproximadamente 20 segundos para facilitar o alongamento do tecido conjuntivo.
Os estudos não parecem ser conclusivos no sentido de afirmar que uma dessas ferramentas tem uma capacidade mais efetiva na prevenção de lesões, visto que as lesões podem ter outros agentes que interferem nos estudos como: idade, flexibilidade e histórico de lesões anteriores.
Nesse sentido o ideal seria unir as duas atividades cerca de 15 minutos antes das atividades especificas de cada modalidade.


Woods K, Bishop P, Jones E. Warm-up and stretching in the prevention of muscular injury. Sports Med. 2007;37(12):1089-99.

domingo, 27 de novembro de 2011

HMB e função muscular

Esse é o trabalho mais recente que fizemos, onde verificamos a função muscular da suplementação com HMB. Os resultados nos mostram que alem dos possíveis mecanismos moleculares associados ao HMB, ele apresentou um efeito metabolico importante capaz de melhorar a capacidade contratil muscular e seu desempenho durante contraçoes intensas.


Eur J Appl Physiol. 2011 Nov 11. [Epub ahead of print]
Metabolic and functional effects of beta-hydroxy-beta-methylbutyrate (HMB) supplementation in skeletal muscle.
Pinheiro CH, Gerlinger-Romero F, Guimarães-Ferreira L, de Souza-Jr AL, Vitzel KF, Nachbar RT, Nunes MT, Curi R.
Source

Department of Physiology and Biophysics, room 105, Institute of Biomedical Science, University of São Paulo, Av. Prof. Lineu Prestes, 1524, Prédio Biomédicas I, Cidade Universitária, Butantã, São Paulo, SP, CEP:05508-900, Brazil, chjpinheiro@gmail.com.
Abstract

Beta-hydroxy-beta-methylbutyrate (HMB) is a metabolite derived from leucine. The anti-catabolic effect of HMB is well documented but its effect upon skeletal muscle strength and fatigue is still uncertain. In the present study, male Wistar rats were supplemented with HMB (320 mg/kg per day) for 4 weeks. Placebo group received saline solution only. Muscle strength (twitch and tetanic force) and resistance to acute muscle fatigue of the gastrocnemius muscle were evaluated by direct electrical stimulation of the sciatic nerve. The content of ATP and glycogen in red and white portions of gastrocnemius muscle were also evaluated. The effect of HMB on citrate synthase (CS) activity was also investigated. Muscle tetanic force was increased by HMB supplementation. No change was observed in time to peak of contraction and relaxation time. Resistance to acute muscle fatigue during intense contractile activity was also improved after HMB supplementation. Glycogen content was increased in both white (by fivefold) and red (by fourfold) portions of gastrocnemius muscle. HMB supplementation also increased the ATP content in red (by twofold) and white (1.2-fold) portions of gastrocnemius muscle. CS activity was increased by twofold in red portion of gastrocnemius muscle. These results support the proposition that HMB supplementation have marked change in oxidative metabolism improving muscle strength generation and performance during intense contractions.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Ações previsíveis...

Bom... vou mais uma vez fazer um post diferente dos rotineiros, pois a idéia aqui é discutir artigos científicos relacionados a suplementação e treinamento, mas acredito que esse assunto tem relação direta com a ciência, mas a comportamental. Os acontecimentos de nossas vidas parecem seguir um fluxo natural e desconhecido que nos demonstram a fragilidade diante inevitável, ai que esta: será que realmente tudo é inevitável?Não temos nenhuma relação direta ou até indireta sobre os acontecimentos de nossas vidas?
Isaac Newton já dizia a alguns séculos atrás: para toda ação existe uma reação, se usarmos isso para nossos comportamentos vemos que nossas ações parecem induzir as reações que se seguem. Pois vejam, comer desenfreadamente coisas não muito saudáveis, não realizar qualquer forma de atividade física regular e ter uma rotina de vida estressante, isso de alguma forma e em algum momento de nossas vidas vai custar alto.
Vejam somos heranças genéticas dos mais fortes e resistentes, os que caçavam melhor, os que lutavam com melhor eficiência, ou seja, nossa essência é de indivíduos totalmente ativos, sendo que a inatividade vai contra nossos vestígios evolutivos genéticos. Tenho certeza que alguns eventos realmente são inevitáveis, mas precisamos nos preparar para o previsível, pois parece obvio que manter uma rotina sedentária a última instância nos aproxima de algo totalmente previsível e esperado.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Na contramão

Projeto do Senado libera contratação de professores universitários sem pós

Se aprovado, projeto de lei que deve ir à votação dia 12 alterará a Lei de Diretrizes e Bases e permitirá que graduados sem títulos deem aula em caráter temporário - status que pode ser renovado indefinidamente. Proposta agrada a instituições particulares

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110702/not_imp739743,0.php


Parece que tudo esta andando para trás mesmo. Vejam isso não condiz com uma realidade de um país que almeja algo maior, pois países desenvolvidos prezam pela ciência e tecnologia. Sendo assim vejo que cada vez mais a pesquisa nesse país vem sendo descartada.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Respostas Hormonais ao Treinamento aeróbio


Nesse ultimo sábado fui convidado para ministrar uma aula intitulada “Respostas hormonais agudas e crônicas do treinamento aeróbio” em um curso de especialização da Escola Paulista (Unifesp). Tema bastante sugestivo, pois treinamento aeróbio foi o que sempre fiz, apesar das minhas aventuras no treinamento de força, e respostas hormonais foi o que me intrigou e impulsionou me para a pós- graduação.
Busquei na primeira parte da aula descrever as respostas hormonais agudas do exercício aeróbio, onde a descarga simpática inibi a secreção de insulina e frente a essa situação aparecem os tidos contra regulatórios: glucagon, Hormônio do Crescimento (GH), Cortisol e catecolaminas, no sentido de manter as concentrações plasmáticas de glicose para a função do sistema nervoso central e para o fornecimento de substrato energético para o exercício. Nesse sentido mostrei que os hormônios tem suas ações bastante peculiares nos diferentes tecidos, muitas vezes tendo suas ações um pouco confusas quando se olha de maneira fragmentada, por exemplo, o cortisol tem um efeito lipolítico e lipogênico, lise de gordura e geração de lipídios, estimula a glicogênio sintase, enzima chave na síntese de glicogênio, ainda estimula a enzima chave da gliconeogênese, fosfoenolpiruvato carboxiquinase (PEPCK), enquanto o glucagon estimula a glicogênio fosforilase, responsável pela quebra dos polímeros de glicose (glicogênio). Parecendo haver a todo momento um efeito de ir freando esse estado de fornecimento de substrato energético.
Na segunda parte mostrei os resultados agudos e crônicos sobre o eixo hipotálamo hipófise glândulas e hormônios frente ao exercício aeróbio. Nesse momento envolvemos mais uma serie de controles e repercussões frente a essa situação. A partir desse momento as respostas parecem sempre ter um importante efeito agudo, reduzindo sua magnitude com o treinamento, em especial aos hormônios GH, cortisol e Testosterona (Testo), e com relação aos crônicos as repercussões não tem sido bem documentadas. Com relação as catecolaminas, em especial a adrenalina, mostrei resultados de pesquisas recentes, que mostram seus efeitos sobre o estimulo da síntese e de inibição da degradação, reforçando ainda mais a idéia inicial de que parece haver a todo momento um efeito de ir freando o estado de fornecimento de substrato energético a todo custo.
A aula no geral foi muito boa, acredito que tanto para mim quanto para eles!!!rs


Bons treinos galera...

sábado, 4 de junho de 2011

Treinamento x HMB

Durante a discussão recente de um artigo observei o quanto é importante você ter uma idéia, um modelo experimental e saber como vai avaliar da melhor maneira sua hipótese, independente do resultado que vai obter.
Nesse referido trabalho o foco era investigar a suplementação de beta-hidroxi-beta-metilbutirato (HMB) em jogadores de futebol americano experientes sobre parâmetros de performance, marcadores de lesão, dor muscular e parâmetros hormonais. Após um período de destreinamento os indivíduos foram submetidos a treinamentos de alta intensidade durante 10 dias realizados em dois períodos duas vezes por dia, utilizando de exercícios específicos da modalidade realizado em campo, chamados drills. Durante esse período foi aplicado um questionário que avaliava a intensidade em que os treinos eram feitos, sendo que esses parâmetros não apresentaram compatibilidade com a intenção do trabalho que era alta intensidade. Outro fator curioso foi a redução de um hormônio marcador de estresse no final do período de treinamento. O parâmetro de capacidade anaeróbia foi avaliado, mas a literatura mostra que um período agudo, curto, de suplementação não é capaz de induzir qualquer alteração nesses parâmetros, sem contar que o método utilizado para essa analise não é o mais adequado. Assim o trabalho não mostrou efeito ergogênico desse suplemento nesse período curto com esses atletas.
O mais importante desse trabalho serve para nos mostrar a importância de sabermos onde estamos e para onde vamos, pois avaliar a pergunta da melhor maneira faz parte do jogo. Sabemos que a literatura é extensa com relação aos efeitos positivos desse ergogênico, mas é necessário cautela na utilização, sem contar que é imprescindível entender o possível mecanismo do proposto ergogênico para assim tentar aplicar a uma rotina de treinamento.
Bons treinos e inteligente suplementação!
Hoffman JR, Cooper J, Wendell M, Im J, Kang J. Effects of beta-hydroxy
beta-methylbutyrate on power performance and indices of muscle damage and stress
during high-intensity training. J Strength Cond Res. 2004 Nov;18(4):747-52.