quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Ribose e performance

A quebra da fosfocreatina pela ação da creatinaquinase (CK) é a principal via de produção de ATP durante curtos períodos de exercício extenuante. No entanto, como a concentração de fosfocreatina muscular rapidamente se esgota, a taxa de refosforilação do ADP através da CK é prejudicada, o que provoca diminuição do conteúdo ATP intracelular e aumenta o conteúdo ADP. Uma fração desse ADP é reduzida a IMP (inosine 5´ -monophosphate) por ação da adenilato quinase e AMP aminase.
Durante exercícios intensos o pool de ATP no músculo esquelético humano é reduzido a inosine 5´ -monophosphate (IMP), este composto produzido no músculo não é permeável a membrana e ao final do exercício é utilizado para a resintese de ATP. Uma parcela desse IMP pode ser desfosforilado em inosina e ser liberado para a circulação junto com produtos da degradação de hipoxantina, que serve como substrato e fonte de nitrogênio, lembrando que essa situação depende da intensidade e duração do exercício.
A perda de nucleotídeos, que são compostos por base nitrogenada, grupo fosfato e uma pentose, pelo músculo é restaurada por dois sistemas: via purina que depende do AMP gerado pela inosina e/ou hipoxantina ou via síntese de novo nucleotídeo, lembrando que uma vez na circulação esses não podem ser recuperados tanto durante atividade como no repouso, portanto a restauração do ATP parece vir através do pool intracelular de inosina e hipoxantina.
Um passo limitante para a síntese de novo nucleotídeos tem sido estudada e postula se que uma enzima chamada phosphoribosyl pyrophosphate (PRPP) tem um papel crucial, onde essa enzima gera ribose 5´-fosfato que por sua vez é sintetizada a partir da fosforização de ribose. O nível de ribose no músculo é limitada, portanto, uma maior disponibilidade de ribose pode aumentar a formação de PRPP e da taxa de síntese de adenina nucleotídeos.
Ou seja, parece que a suplementaçao com ribose teria um efeito benefico na geração de novos RNA mensageiros (mRNA), consequentemente novas proteinas, aumentanto a sintese proteica. A teoria nos mostra essa hipose, mas os trabalhos que encontramos na literatura não confirmam tal efeito.



Hellsten, Y., L. Skadhauge, and J. Bangsbo. Effect of ribose supplementation on resynthesis of adenine nucleotides after intense intermittent training in humans. Am J Physiol Regul Integr Comp Physiol 286: R182–R188, 2004
Seifert JG, Subudhi AW, Fu MX, Riska KL, John JC, Shecterle LM, St Cyr JA. The role of ribose on oxidative stress during hypoxic exercise: a pilot study. J Med Food. 2009 Jun;12(3):690-3
Op 't Eijnde B, Van Leemputte M, Brouns F, Van Der Vusse GJ, Labarque V, Ramaekers M, Van Schuylenberg R, Verbessem P, Wijnen H, Hespel P. No effects of oral ribose supplementation on repeated maximal exercise and de novo ATP resynthesis. J Appl Physiol. 2001 Nov;91(5):2275-81.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Domínio mionuclear e Hipertrofia

Vou tentar esmiuçar um assunto bem interessante e complicado, que vai servir de conhecimento prévio para o próximo post.
Quando chegamos a uma academia ouvimos os profissionais especializados dizerem, que o exercício de força é importante para gerar miotrauma, pequenas lesões no tecido muscular, e esses são importantes para estimular a recuperação desse tecido de maneira mais eficiente, aparecendo então a importância dessa ferramenta para a profilaxia, prevenção de lesões, para varias outras modalidades esportivas.
Sendo assim como estímulos de lesões podem ser benéficos???
Vamos discorrer algumas coisas importantes, nossas células musculares apresentam em seu sarcolema, membrana das células musculares, algumas células que se encontram quiescentes e são chamadas células satélites (satellite cell), que sobre alguns estímulos é capaz de se dividir, migrar e fundir-se para colaborar para a regeneração e/ou crescimento do tecido muscular. Após o estimulo ao exercício ocorre a liberação de varias citocinas e agentes pro e anti-inflamatórios que são responsáveis pelo disparo de varias cascatas de sinalização celular especificas contribuindo para o estimulo de diferenciação das células satélites em mioblastos, ocorrendo assim a recuperação do tecido.
Perante essas situações de injuria e stress sucessivos devido ao treinamento programado surge a hipertrofia, regidos pelo principio do domínio nuclear, em definição este domínio é a área total de sarcoplasma, citoplasma das células musculares, divida pelo número de mionúcleos na fibra muscular. Sabendo que cada mionúcleo rege um determinado volume celular e que o aumento do numero de núcleos derivado da adesão das células satélites permite o aumento do volume celular total, sendo que cada mionúcleo vai ficar responsável por um domínio de volume igual ao inicial sem prejuízo para a homeostasia da fibra muscular.
Sendo assim tentei clarear um pouco sobro os mecanismos de hipertrofia muscular envolvendo a ativação das células satélites.



Kadi F, Schjerling P, Andersen LL, Charifi N, Madsen JL, Christensen LR, Andersen JL. The effects of heavy resistance training and detraining on satellite cells in human skeletal muscles. J Physiol. 2004 Aug 1;558(Pt 3):1005-12


Holterman CE, Rudnicki MA. Molecular regulation of satellite cell function. Semin Cell Dev Biol. 2005 Aug-Oct;16(4-5):575-84. Review.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Dia Mundial Sem Carro (DMSC)

Ontem foi o Dia Mundial Sem Carro (DMSC) e te faço uma pergunta: o que você fez para colaborar com essa iniciativa?E vejam essa iniciativa visa melhorar a qualidade de vida de TODOS que habitam nessa cidade repleta de caos...
Durante a concentração que ocorreu na praça do ciclista no inicio da paulista e durante todo o percurso que envolveu a Av. Paulista, 23 de Maio, Marginal Pinheiros e Rebouças pensei e pude constatar que a bicicleta realmente é uma solução palpável a todos. E partindo disso ali as pessoas se divertiram e se sociabilizaram coisa que não estamos acostumados a ver nessa cidade doentia que consome as pessoas e constroem pessoas totalmente individualistas, não ocorreram incidentes, e a idéia fundamental foi cumprida, curtir a liberdade de poder se deslocar com as próprias forças e ser levado por pensamentos.
Realmente reforço o meu pensamento, seres humanos foram feitos para se deslocar e se movimentarem, portanto a postura estática imposta pelos automóveis e/ou no trabalho precisam ser revistos e aproveitando reflita sobre sua postura, estática ou de movimento!
Alguns podem falar que aproveitam o tempo na condução para ler ou fazer algumas tarefas que podem ser feitas nessas condições, mas vejam se usar um meio de transporte fácil e eficiente, sem citar aqui os benefícios para a saúde, provavelmente poderá chegar em casa mais rápido e com mais tempo para fazer coisas que precisa e o mais importante, carregado de menos estresse.
Bom... é isso recado dado!!!

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

XXIX Troféu Brasil de Atletismo

Faz algum tempo que queria assistir o Troféu Brasil de Atletismo, e nesse ano consegui um tempinho para assistir na sexta-feira (17/set) algumas provas que foi realizado no Centro Esportivo de São Paulo, com uma pista maravilhosa.
Sabe se que esse conjunto de provas dentre elas: corridas, saltos e lançamentos são consideradas provas nobres e uma das mais antigas realizadas, sendo assim fica fácil saber por que assistir um espetáculo desse a céu aberto se torna uma oportunidade impar e também sou suspeito para dizer algo sobre atletismo pois tenho um grande apreço por essa modalidade.
E pasmem ao chegar ao evento me sento a alguns centímetros do Vanderlei Cordeiro de Lima um medalhista olímpico, e começo a me deparar com um monte de atletas que estamos acostumados a ver nos noticiários e o mais legal e interessante que eles estavam ali ao alcance dos olhos e com uma postura bem simples e acessível, totalmente diferente do estrelismo de alguns “atletas”. Ver aqueles ATLETAS, sim... para mim com letra maiúscula mesmo, no meio da arquibancada sem grandes luxos ou qualquer badalação me fez refletir, sabendo que o atletismo é um esporte que guardadas as proporções pode ser praticado sem muito investimento, porque não encher aquela arquibancada de jovens colegiais e incentivar de alguma maneira essa modalidade com mais fomento e vontade. Por que os canais abertos pouco deram importância para esse evento e preferem continuar a divulgar as mesmices de sempre... bom acho que as respostas podem ser complexas e alongadas!!!
Mas puxando a sardinha para o meu lado, se isso ocorresse teríamos mais pesquisas na área e conseqüentemente mais resultados positivos e acho que com certeza poderíamos almejar algo maior nos jogos olímpicos.
Para aqueles que nunca assistiram... assistam...

terça-feira, 13 de julho de 2010

Utilização da creatina: objetivos práticos e eficiência

Com a liberação da comercialização da velha conhecida creatina surgem algumas duvidas quanto ao protocolo e/ou estratégia de utilização, mas antes de tentarmos expor aqui alguns dados encontrados na literatura vale lembrar mais uma vez que a creatina orgânica tem duas fontes, a síntese pelo próprio organismo, a partir de 3 aminoácidos (arginina,glicina e metionina) e a ingestão de alimentos, especificamente das carnes. O pool orgânico desta substância encontra-se localizado quase na sua totalidade (95%) na musculatura esquelética e sua regeneração após um exercício intenso é um processo dependente da via oxidativa. A maioria dos estudos de suplementação com creatina tem mostrado a possibilidade de aumentar o pool orgânico deste composto em cerca de 10 a 20%, embora alguns estudos tenham evidenciado acréscimo de até 50% em seus níveis totais, após a suplementação em indivíduos não vegetarianos e de ate 60% em atletas vegetarianos. Sendo assim a creatina é essencial no processo de regeneração do ATP, sendo que em torno de dois terços da creatina é fosforilada pela enzima creatina cinase (CK) formando creatina fosfoto (PCr). Durante a realizaçao de exercícios intensos e explosivos, por exemplo exercícios repetitivos (intermitentes), de alta intensidade, curta duração e com períodos de recuperação muito curtos, o fosfato da creatina fosfato é liberado para fornecer energia para a ressíntese de ATP. Sendo assim a ampliação da reserva de energia no músculo através da creatina tem permitido aprimorar o desempenho físico de atletas e praticantes das mais diversas atividades.
Vamos ao que interessa, na literatura encontramos vários protocolos de utilização, dos mais curtos: 0,35g/Kg de peso corporal por 5 dias, 20g durante 5 dias, 5g diárias de creatina dividas e 4 doses ao dia durante 5 dias, 5g de creatina mais 1g de sacarose 4 vezes ao dia durante 5 dias; protocolos mais longos: 20g por dia durante 10 dias seguidos de 4g por 20 dias, 25g por 7 dias seguidos de 5g por 11 semanas, 20g por 5 dias seguidos de 3 g por 47 dias, 20g por 5 dias seguidos de 2 g por 37 dias, e por ai vai, pois a literatura é extensa nos protocolos, indivíduos e gêneros utilizados. Postula se ainda que a suplementação de creatina juntamente com 1g de glucose/Kg de massa corporal aumenta a absorção da creatina em relação a suplementação sem carboidrato devida a melhor captação auxiliada pela secreção de insulina.
No entanto, um grande número de estudos mostra os efeitos benéficos no ganho de massa muscular, retardar fadiga, melhorar desempenho a esforços intermitentes, número máximos de repetições (RM) e em relação ao desempenho contra vários artigos mostrando dados opostos. Sendo assim o estabelecimento dos efeitos positivos e praticos fica prejudicado devido a essa grande diversidade de protocolos e indivíduos utilizados como modelo dos estudos, portanto a escolha do protocolo utilizado deve ser embasada em um modelo que se assemelha ao seu propósito, levando em consideração o principio da individualidade biológica, salientar mais uma vez que estudos foram realizados para comprovar a segurança dessa suplementação, sendo demonstrado não ser capaz de prejudicar a função renal e hepática, ou seja, essa estratégia parecer ser eficiente e segura.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Tour de France 2010

No próximo dia 3 de julho vai começar um dos eventos mais difíceis do planeta, contando com os maiores e melhores atletas do ciclismo mundial, para aqueles que apreciam e gostam desse esporte é um prato cheio e com imagens de plano de fundo maravilhosas. Prometo que mantenho vcs atualizados pelo twitter (@cienciaexerblog).

quarta-feira, 12 de maio de 2010

BCAA (aminoácido de cadeia ramificada) velho conhecido!



Os BCAAs são velhos conhecido do mundo da suplementação, ou pelo menos para aqueles que se interessam pelo assunto, lembrando que esse combinado contem alguns aminoácidos essenciais, ou seja, aminoácidos que não são sintetizados pelo nosso corpo, como: isoleucina, valina e leucina, a única fonte é através da ingestão alimentar.
Esses aminoácidos estão relacionados a melhora do quadro de imunossupressão que ocorre após a realização de exercícios intensos e prolongados, bem como o aumento da síntese protéica. O aumento da utilização de BCAAs durante o exercício leva a diminuição desses na concentração plasmática, pois são utilizados pelo músculo esquelético como substrato para a produção de glutamina, aminoácido importante para a manutenção da função imune, esse seria um dos mecanismos envolvidos na imunossupressão característica em atletas de atividades prolongadas, citada anteriormente, ou seja, um período de maior suscetibilidade a infecções do trato aéreo, em especial.
Durante a realização de exercícios prolongados a dor muscular e a perda de massa muscular acentuada são fatores limitantes para a manutenção da função muscular. Vários estudos relatam que a suplementação de BCAAs possui um efeito de atenuar a perda muscular e o surgimento da dor muscular, melhorando a performance durante a realização de exercícios intensos.
Um estudo investigou o efeito da suplementação de BCAAs em corredores durante um programa intenso de treinamento. Sendo assim a suplementação pareceu retardar o surgimento da dor muscular e fadiga, juntamente com uma redução da perda muscular, avaliada por marcadores plasmáticos clássicos, acompanhados da redução da inflamação.
Sendo assim vemos mais uma vez que a suplementação realmente pode fazer a diferença em uma determinada situação, e embasar estratégias nutricionais e de treinamento parece realmente fazer toda a diferença quando se objetiva algo a mais...
Matsumoto K, Koba T, Hamada K, Sakurai M, Higuchi T, Miyata H. Branched-chain amino acid supplementation attenuates muscle soreness, muscle damage and inflammation during an intensive training program. J Sports Med Phys Fitness. 2009 Dec;49(4):424-31.